O Caro leitor já parou para pensar porque somos assim tão relapsos com o nosso voto? Alguém lembra de cabeça o nome de 10 vereadores, para ficar no trivial, que foram eleitos em São Paulo na última votação?
Ou quais os projetos apresentados pelo seu deputado durante os últimos dois anos? Ou como votou seu senador? Se eles têm ou não querelas com a polícia ou com o ministério público?
Creio que não erraria se dissesse que boa parte das pessoas não se interessam por esses aspectos até que a mídia jogue tudo no ventilador, as vezes para cumprir seu papel as vezes para tomar partido. A que podemos atribuir este problema? Falta de interesse, falta confiança na classe política, falta de fé ou falta de cidadania mesmo?
Esperamos que a mídia tome conta para nós. Que o ministério público fiscalize mesmo sem receber denúncias. Mas o processo da justiça é por demais demorado. Precisamos da justiça das urnas, esta sim rápida e rasteira.
Não trabalhou? Tá fora. Apresentou projetos irrelevantes? Tá fora. Se corrompeu? Tá fora. Se envolveu em atividades suspeitas? Tá fora.
Precisamos encontrar meios de mobilizar as pessoas para limpar nossas casas legislativas. Temos que fazer isso de forma transparente, coesa e frequente.
Para que os lobões e lobinhos fiquem longe de lá. Para que nunca mais tenhamos malvadezas e moto-serras. Nem propinodutos, anões, compra de votos e outras mazelas que, ao fim, tornam o nosso país a máquina de injustiças que é.
Os nossos cachorros têm vários donos senhoras e senhores. Ninguém toma conta e eles passam bem com nosso filé.
P.S.: Tenho algumas idéias práticas à respeito disso e devo coloca-las em prática. Mas só a título de curiosidade pus uma pequena pesquisa no fim da página do Blog. Por favor, se puderem, respondam.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Ajude se Puder
Oi Pessoal,
Este é o Sr. JUSTINO TESTA AVONA, 76 anos.
Branco, cabelos grisalhos, curto e liso, um pouco calvo, usa óculos.
Trajes: bermuda azul marinho, camisa pólo branca e cinza claro (listrada), meia e tênis brancos, óculos de grau e relógio.
Saiu para comprar pães, às 7h30, do dia 15/01/2008 nas imediações do bairro Terra Nova, em São Bernardo do Campo, próximo aos restaurantes Demarchi.
Trajes: bermuda azul marinho, camisa pólo branca e cinza claro (listrada), meia e tênis brancos, óculos de grau e relógio.
Saiu para comprar pães, às 7h30, do dia 15/01/2008 nas imediações do bairro Terra Nova, em São Bernardo do Campo, próximo aos restaurantes Demarchi.
Morou mais de 25 anos, no Jardim da Saúde (Av. do Cursino), em São Paulo/SP.
Qualquer notícia, favor informar os filhos:
Juliana – (11) 8121-8238
Luciano – (11) 9277-8262
Eliana – (11) 4396-4252
Juliana – (11) 8121-8238
Luciano – (11) 9277-8262
Eliana – (11) 4396-4252
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
A vacina para a crise
Em meio as turbulências e ao pânico causados pelos erros do FED o Brasil se mostra tranquilo em vista de outros países.
A despeito das quedas na bolsa de valores, decorrentes das movimentações da capital necessárias à acomodação dos lucros e prejuízos de investidores ao redor do mundo a crise aparentemente não afetará profundamente a economia real brasileira.
É uma situação nova para o brasileiro. Estamos acostumados com a contaminação imediata da economia por crises externas, haja vista o México, Rússia, Argentina, etc. Dessa vez temos reservas em dólar suficientes, contas externas em relativo equilíbrio, economia crescendo e um clima de tranquilidade política. O resultado está aí para quem quiser ver.
No entanto a perspectiva de uma recessão nos EUA e uma consequente diminuição da atividade econômica no planeta pode sim ter efeitos no crescimento da economia brasileira no médio prazo. A vacina é o crescimento do mercado interno.
Os investimentos do PAC aliados a uma política de fomento à atividade industrial, pode conter uma tendência de aumento da pressão inflacionária pelo lado da demanda. Estes mesmo projetos, ao influenciar diretamente no crescimento do emprego e consequentemente da massa salarial, tornaria o País menos exposto a uma eventual diminuição das exportações.
Resta saber se o planejamento destas ações aparentemente já em curso será efetivamente levado a cabo com seriedade ou se perderá na teia de fisiologismos e troca de cargos em função das alianças políticas de última hora que o governo, sem maioria no senado, foi obrigado a fazer.
É um momento único na história recente do Brasil. Comemoremos pois, senhoras e senhores. Mas com um olho no gato e outro no peixe.
A despeito das quedas na bolsa de valores, decorrentes das movimentações da capital necessárias à acomodação dos lucros e prejuízos de investidores ao redor do mundo a crise aparentemente não afetará profundamente a economia real brasileira.
É uma situação nova para o brasileiro. Estamos acostumados com a contaminação imediata da economia por crises externas, haja vista o México, Rússia, Argentina, etc. Dessa vez temos reservas em dólar suficientes, contas externas em relativo equilíbrio, economia crescendo e um clima de tranquilidade política. O resultado está aí para quem quiser ver.
No entanto a perspectiva de uma recessão nos EUA e uma consequente diminuição da atividade econômica no planeta pode sim ter efeitos no crescimento da economia brasileira no médio prazo. A vacina é o crescimento do mercado interno.
Os investimentos do PAC aliados a uma política de fomento à atividade industrial, pode conter uma tendência de aumento da pressão inflacionária pelo lado da demanda. Estes mesmo projetos, ao influenciar diretamente no crescimento do emprego e consequentemente da massa salarial, tornaria o País menos exposto a uma eventual diminuição das exportações.
Resta saber se o planejamento destas ações aparentemente já em curso será efetivamente levado a cabo com seriedade ou se perderá na teia de fisiologismos e troca de cargos em função das alianças políticas de última hora que o governo, sem maioria no senado, foi obrigado a fazer.
É um momento único na história recente do Brasil. Comemoremos pois, senhoras e senhores. Mas com um olho no gato e outro no peixe.
Desaforo Previlegiado
O amigo leitor que por qualquer motivo que seja teve seu nome enviado ao SPC conhece o que é ser preterido para uma série de atividades.
Não se pode ter cheque, cartão de crédito, carro financiado e muitas empresas checam este dado. Quem deve não pode sequer trabalhar.
Uma multidão de pessoas que tiveram problemas com a justiça, mesmo os delitos mais simples são impedidas de trabalhar. Ficam marcadas por toda a vida.
Aguardam anos pelo julgamento, muitas vezes cumprindo pena em cadeias superlotadas ou penitenciárias que são pouco mais que campos de refugiados.
Agora temos um novo ministro das Minas e Energia. O Senador Edison Lobão.
O senador responde por processos na justiça de todo tipo. Crime ambiental, envolvimento com laranjas, e suspeita de intervenção em processos de investigação de assassinatos.
E porquê, amigo leitor, o senador ainda está lá. A resposta é simples: Fidelidade.
Não a fidelidade partidária ou a fidelidade ao compromisso assumido com seus eleitores. Fidelidade ao clã Sarney, que tanto mal já fez à este país. É das famílias mais ricas do norte, com acesso a uma rede de mídia em rádio e televisão capaz de eleger ou derrubar qualquer liderança política.
Mas estas pessoas têm o chamado "foro privilegiado". Só podem ser julgadas pelo pelo STF cujos ministros são indicados pelo Presidente da República e aprovados pelo senado. Um clássico exemplo de conflitos de interesse.
Este tipo de privilégio é que sustenta esta elite de criminosos. Inimigos públicos de tudo que é público. São mais de 700 pessoas que, a despeito de quaisquer ações, não podem ser julgadas pela justiça comum, como todos os outros brasileiros.
É hora de acabar com esta aberração. A restauração da confiança nas instituições públicas brasileiras tem de passar por aí. Como um "serviço de proteção ao crédito político".
Fizemos o depósito de nossa confiança para o bem de todos, senhoras e senhores. Eles sacam em proveito próprio.
Não se pode ter cheque, cartão de crédito, carro financiado e muitas empresas checam este dado. Quem deve não pode sequer trabalhar.
Uma multidão de pessoas que tiveram problemas com a justiça, mesmo os delitos mais simples são impedidas de trabalhar. Ficam marcadas por toda a vida.
Aguardam anos pelo julgamento, muitas vezes cumprindo pena em cadeias superlotadas ou penitenciárias que são pouco mais que campos de refugiados.
Agora temos um novo ministro das Minas e Energia. O Senador Edison Lobão.
O senador responde por processos na justiça de todo tipo. Crime ambiental, envolvimento com laranjas, e suspeita de intervenção em processos de investigação de assassinatos.
E porquê, amigo leitor, o senador ainda está lá. A resposta é simples: Fidelidade.
Não a fidelidade partidária ou a fidelidade ao compromisso assumido com seus eleitores. Fidelidade ao clã Sarney, que tanto mal já fez à este país. É das famílias mais ricas do norte, com acesso a uma rede de mídia em rádio e televisão capaz de eleger ou derrubar qualquer liderança política.
Mas estas pessoas têm o chamado "foro privilegiado". Só podem ser julgadas pelo pelo STF cujos ministros são indicados pelo Presidente da República e aprovados pelo senado. Um clássico exemplo de conflitos de interesse.
Este tipo de privilégio é que sustenta esta elite de criminosos. Inimigos públicos de tudo que é público. São mais de 700 pessoas que, a despeito de quaisquer ações, não podem ser julgadas pela justiça comum, como todos os outros brasileiros.
É hora de acabar com esta aberração. A restauração da confiança nas instituições públicas brasileiras tem de passar por aí. Como um "serviço de proteção ao crédito político".
Fizemos o depósito de nossa confiança para o bem de todos, senhoras e senhores. Eles sacam em proveito próprio.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
O Futuro do pretérito
Um em cada 5 jovens entre 18 e 29 anos que moram em áreas urbanas não têm sequer o ensino fundamental concluído. Os que concluem esta etapa no ensino público não têm condições de ler adequadamente um jornal. Este é o quadro da educação no Brasil. Descaso e ineficiência.
Pergunto a mim mesmo e ao caro leitor onde irão parar estas pessoas? Qual será o seu papel em uma sociedade que exige cada vez mais conhecimento até para as atividades básicas do dia a dia como pegar um ônibus ou operar um caixa eletrônico de banco?
A resposta é simples. Na cadeia ou no cemitério.
Em cada semáforo da cidade, em cada viaduto, praça ou estação de trem é inevitável encontrar crianças e adolescentes deixados à sua própria sorte por famílias desestruturadas pelo desemprego e pela miséria.
Imagine sua vida caro leitor sem lençóis limpos. Sem aquele cheirinho de "casa da mamãe". Sem café da manhã, sem lancheira, sem aniversário.
Sem cadernos, professores e sem escola. Pense como seria crescer entre o lixo e os ratos das favelas ou dormir em uma calçada por anos a fio. "Sem carinho e sem coberta".
Pense em todos os nãos que crianças como essas ouvem ao longo do dia de motoristas assustados que fecham seus vidros à miséria delas a cada abrir e fechar do farol. Em quantos desejos frustrados e violências sofridas. Em quantos tapas e chutes da "meganha" que os trata como homens. Quantas garotas grávidas aos 12 anos prostituindo-se em troca de comida, roupas ou drogas. Tudo isso por absoluta falta de opção.
O caro leitor que já entrou em uma favela sabe do que vou dizer. Favela tem um cheiro característico. Não é cheiro de pobreza ou lixo. É o cheiro da tristeza.
E o que estamos fazendo? Estamos perpetuando este modelo de sociedade. Estamos criando as fileiras de um exército que, na primeira oportunidade, vai estar nos nossos pescoços com uma arma, exigindo nossos relógios e carros. E tomando as vidas de nossos filhos.
O ultimo censo sobre a população carcerária é de 2003. Eram 290 mil pessoas. Dos 34 milhões de jovens em áreas urbanas 7,4 milhões terão dificuldades em se integrar à sociedade por falta de estudo. Se 10% desses jovens escolherem a carreira do crime teremos mais 740 mil. Duas vezes e meia a população carcerária atual.
A escolha é nossa, senhoras e senhores. Ou as escolas funcionam ou em 15 anos não teremos mais onde nos esconder.
Pergunto a mim mesmo e ao caro leitor onde irão parar estas pessoas? Qual será o seu papel em uma sociedade que exige cada vez mais conhecimento até para as atividades básicas do dia a dia como pegar um ônibus ou operar um caixa eletrônico de banco?
A resposta é simples. Na cadeia ou no cemitério.
Em cada semáforo da cidade, em cada viaduto, praça ou estação de trem é inevitável encontrar crianças e adolescentes deixados à sua própria sorte por famílias desestruturadas pelo desemprego e pela miséria.
Imagine sua vida caro leitor sem lençóis limpos. Sem aquele cheirinho de "casa da mamãe". Sem café da manhã, sem lancheira, sem aniversário.
Sem cadernos, professores e sem escola. Pense como seria crescer entre o lixo e os ratos das favelas ou dormir em uma calçada por anos a fio. "Sem carinho e sem coberta".
Pense em todos os nãos que crianças como essas ouvem ao longo do dia de motoristas assustados que fecham seus vidros à miséria delas a cada abrir e fechar do farol. Em quantos desejos frustrados e violências sofridas. Em quantos tapas e chutes da "meganha" que os trata como homens. Quantas garotas grávidas aos 12 anos prostituindo-se em troca de comida, roupas ou drogas. Tudo isso por absoluta falta de opção.
O caro leitor que já entrou em uma favela sabe do que vou dizer. Favela tem um cheiro característico. Não é cheiro de pobreza ou lixo. É o cheiro da tristeza.
E o que estamos fazendo? Estamos perpetuando este modelo de sociedade. Estamos criando as fileiras de um exército que, na primeira oportunidade, vai estar nos nossos pescoços com uma arma, exigindo nossos relógios e carros. E tomando as vidas de nossos filhos.
O ultimo censo sobre a população carcerária é de 2003. Eram 290 mil pessoas. Dos 34 milhões de jovens em áreas urbanas 7,4 milhões terão dificuldades em se integrar à sociedade por falta de estudo. Se 10% desses jovens escolherem a carreira do crime teremos mais 740 mil. Duas vezes e meia a população carcerária atual.
A escolha é nossa, senhoras e senhores. Ou as escolas funcionam ou em 15 anos não teremos mais onde nos esconder.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
O público é privado.
O leitor que passar pela marginal pinheiros vai se surpreender com uma gigantesca construção de mais de 130 metros de altura. É a nova ponte que interligará a avenida Ágras Espraiadas à Marginal do Rio Pinheiros. Essa é a avenida que o Maluf fez a um custo superior ao do canal submarino construído na Europa.
Pois bem, vamos aos números. A Gigantesca obra custará aos cofres públicos a bagatela de 230 milhões de reais. E Este é o custo estimado, sem computar eventuais atrasos ou modificações de emergência no projeto.
Pois bem, em 2008 São Paulo deve ganhar mais 53 quilômetros de corredores de ônibus. O custo total das obras é de 314 milhões de reais.
Ponderemos caros leitores. É importante uma ponte que interligue a avenida às marginais? Sim é importante. A região é um dos centros comerciais mais importantes de São Paulo. Mas a pergunta é: Quem se beneficia deste investimento? Quem anda de carro. A Ponte certamente não será um corredor de ônibus.
Temos a maior frota da América Latina nas ruas. Rodízio, poluição, metrôs e trens lotados e aplicamos em uma única obra que vai beneficiar quase que exclusivamente o transporte individual uma quantia suficiente para construir mais 47 quilômetros de corredores de ônibus.
Será mesmo que no batalhão de engenheiros de trânsito e urbanistas que compõem a equipe da prefeitura ninguém gritou o absurdo que isso significa? E se gritou porque não foi ouvido?
Os interesses privados mais uma vez se sobrepõem ao interesse comunitário. A região foi extremamente valorizada, há edifícios gigantescos em construção na região.
Alguns podem argumentar que, uma vez que o volume de pessoas na região deve aumentar em função da concentração de empresas se torna necessário este tipo de obra. Porque não restringir esta concentração e fazer com que as empresas se desloquem para a periferia? Isso sim desafogaria o trânsito e o metrô.
Mas o dinheiro para estas obras veio dos nossos bolsos. Do nosso IPTU e do ISS que cada cidadão paga. Se são necessárias de obras como essa para viabilizar empreendimentos imobiliários de alto padrão e custo eles que façam o investimento.
Quem manda na nossa cidade é o mercado imobiliário e não os cidadãos. E eles constroem como querem. O poder público simplesmente reage.
E assim a vida segue senhoras e senhores. Bem devagar e só das 10:00 as 17:00.
Pois bem, vamos aos números. A Gigantesca obra custará aos cofres públicos a bagatela de 230 milhões de reais. E Este é o custo estimado, sem computar eventuais atrasos ou modificações de emergência no projeto.
Pois bem, em 2008 São Paulo deve ganhar mais 53 quilômetros de corredores de ônibus. O custo total das obras é de 314 milhões de reais.
Ponderemos caros leitores. É importante uma ponte que interligue a avenida às marginais? Sim é importante. A região é um dos centros comerciais mais importantes de São Paulo. Mas a pergunta é: Quem se beneficia deste investimento? Quem anda de carro. A Ponte certamente não será um corredor de ônibus.
Temos a maior frota da América Latina nas ruas. Rodízio, poluição, metrôs e trens lotados e aplicamos em uma única obra que vai beneficiar quase que exclusivamente o transporte individual uma quantia suficiente para construir mais 47 quilômetros de corredores de ônibus.
Será mesmo que no batalhão de engenheiros de trânsito e urbanistas que compõem a equipe da prefeitura ninguém gritou o absurdo que isso significa? E se gritou porque não foi ouvido?
Os interesses privados mais uma vez se sobrepõem ao interesse comunitário. A região foi extremamente valorizada, há edifícios gigantescos em construção na região.
Alguns podem argumentar que, uma vez que o volume de pessoas na região deve aumentar em função da concentração de empresas se torna necessário este tipo de obra. Porque não restringir esta concentração e fazer com que as empresas se desloquem para a periferia? Isso sim desafogaria o trânsito e o metrô.
Mas o dinheiro para estas obras veio dos nossos bolsos. Do nosso IPTU e do ISS que cada cidadão paga. Se são necessárias de obras como essa para viabilizar empreendimentos imobiliários de alto padrão e custo eles que façam o investimento.
Quem manda na nossa cidade é o mercado imobiliário e não os cidadãos. E eles constroem como querem. O poder público simplesmente reage.
E assim a vida segue senhoras e senhores. Bem devagar e só das 10:00 as 17:00.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Estamos todos doentes
O caro leitor desta página provavelmente não tem idéia de quanto o SUS- Sistema único de saúde repassa para um hospital conveniado, como por exemplo as Santas Casas.
Imagine que, por uma consulta, o hospital recebe R$ 7,55, dos quais R$ 5,00 são repassados ao médico e o restante ao hospital para custear a infra-estrutura.
Cinco reais. É o que recebe um médico depois de estudar por quase 10 anos. E o que está em risco não é um carro ou eletrodoméstico. É a vida de um cidadão que pagou impostos a vida toda.
A pergunta é simples. Quanto de seu tempo um médico dedicaria a analizar o estado de um paciente? Ok, ok, ok. Há o juramento de Hipócrates, a responsabilidade profissional, etc. Mas não são os médicos também seres humanos? Sujeitos as mesmas ambições e necessidades? Devemos esperar dessas pessoas que trabalhem quase que por filantropia?
Vamos calcular?
Uma consulta simples, sem um histórico detalhado do paciente ou em um caso em que o problema é evidente deve durar por volta de 10 minutos.
Logo:
6 consultas por hora
8 horas por dia
20 dias por mês
O Médico ganha ao fim do mês R$ 1056,00 (sem os devidos descontos). Menos de três salários mínimos por 10 anos de estudo árduo e a responsabilidade de uma vida. Não é minimamente razoável.
Acrescente a isso as péssimas condições dos hospitais, a falta de aparelhagem e a imensa carga de trabalho. O resultado é o que todos nós conhecemos. O cidadão que precisa de assistência médica tem que pagar um plano de saúde.
Vamos a outra conta?
Se dividíssemos o orçamento anunciado para a saúde pela população atual do Brasil chegaríamos a algo em torno de R$ 236,00. Suficientes para pagar um excelente plano de saúde de um adulto por volta dos 35 anos. É uma simplificação? Sim, é verdade. Mas dá uma idéia do volume de dinheiro aplicado em saúde no país.
E o que temos hoje? Gente sendo tratada em corredores, calçadas e bancos. Salas de cirurgia completamente desequipadas e ambulatórios sem médicos e profissionais de apoio.
O SUS transferiu para a a iniciativa privada o atendimento de quem, por ter um nível de escolaridade melhor, reivindica um atendimento digno. Atendem quem não tem noção de que seus direitos estão sendo brutalmente violados.
Licitações fraudulentas, péssimo planejamento das ações preventivas (entra ano, sai ano e a dengue está aí novamente), gestão irresponsável e uma lista imensa de demonstrações da incapacidade do poder público em gerenciar recursos.
E quando pensamos que não o governo anuncia com toda a pompa e circunstância que o SUS agora dará cobertura à cirurgias de mudança de sexo. Sem nenhum preconceito quanto a necessidade dessas pessoas que já é reconhecida por todas as agências de saúde sérias ao redor do mundo. Estes também não serão atendidos.
O SUS não cobre nada senhoras e senhores. Exceto o Brasil de vergonha.
Imagine que, por uma consulta, o hospital recebe R$ 7,55, dos quais R$ 5,00 são repassados ao médico e o restante ao hospital para custear a infra-estrutura.
Cinco reais. É o que recebe um médico depois de estudar por quase 10 anos. E o que está em risco não é um carro ou eletrodoméstico. É a vida de um cidadão que pagou impostos a vida toda.
A pergunta é simples. Quanto de seu tempo um médico dedicaria a analizar o estado de um paciente? Ok, ok, ok. Há o juramento de Hipócrates, a responsabilidade profissional, etc. Mas não são os médicos também seres humanos? Sujeitos as mesmas ambições e necessidades? Devemos esperar dessas pessoas que trabalhem quase que por filantropia?
Vamos calcular?
Uma consulta simples, sem um histórico detalhado do paciente ou em um caso em que o problema é evidente deve durar por volta de 10 minutos.
Logo:
6 consultas por hora
8 horas por dia
20 dias por mês
O Médico ganha ao fim do mês R$ 1056,00 (sem os devidos descontos). Menos de três salários mínimos por 10 anos de estudo árduo e a responsabilidade de uma vida. Não é minimamente razoável.
Acrescente a isso as péssimas condições dos hospitais, a falta de aparelhagem e a imensa carga de trabalho. O resultado é o que todos nós conhecemos. O cidadão que precisa de assistência médica tem que pagar um plano de saúde.
Vamos a outra conta?
Se dividíssemos o orçamento anunciado para a saúde pela população atual do Brasil chegaríamos a algo em torno de R$ 236,00. Suficientes para pagar um excelente plano de saúde de um adulto por volta dos 35 anos. É uma simplificação? Sim, é verdade. Mas dá uma idéia do volume de dinheiro aplicado em saúde no país.
E o que temos hoje? Gente sendo tratada em corredores, calçadas e bancos. Salas de cirurgia completamente desequipadas e ambulatórios sem médicos e profissionais de apoio.
O SUS transferiu para a a iniciativa privada o atendimento de quem, por ter um nível de escolaridade melhor, reivindica um atendimento digno. Atendem quem não tem noção de que seus direitos estão sendo brutalmente violados.
Licitações fraudulentas, péssimo planejamento das ações preventivas (entra ano, sai ano e a dengue está aí novamente), gestão irresponsável e uma lista imensa de demonstrações da incapacidade do poder público em gerenciar recursos.
E quando pensamos que não o governo anuncia com toda a pompa e circunstância que o SUS agora dará cobertura à cirurgias de mudança de sexo. Sem nenhum preconceito quanto a necessidade dessas pessoas que já é reconhecida por todas as agências de saúde sérias ao redor do mundo. Estes também não serão atendidos.
O SUS não cobre nada senhoras e senhores. Exceto o Brasil de vergonha.
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