sexta-feira, 5 de junho de 2009

Política Intransitável

Tenho certeza de que o Amigo Leitor que é paulistano ou conhece a capital é profundo conhecedor dos incômodos que traz o trânsito de São Paulo àqueles que vivem na cidade. Só quem já enfrentou congestionamentos de 200 Km sabe o quanto é difícil, cansativo e desgastante a rotina do Paulistano.

Em pesquisas realizadas sobre qual seria a solução para o trânsito de São Paulo o metrô aparece sempre como a melhor alternativa. O plano do governo de São Paulo de dar qualidade de metrô às linhas dos trens metropolitanos é um indício de que esta percepção começa a encontrar os ouvidos dos que desenvolvem as políticas de transporte para a região metropolitana de São Paulo. Mas algo ainda continua a não fazer sentido.


Eu me lembro que alguns anos atrás, quando o Maluf ainda era candidato que preocupava os concorrentes, essa obra de duplicação das marginais do Rio Tietê era chamada de "Faraônica" pelos candidatos que concorriam as eleições. Que a solução estava no transporte público de qualidade e não na expansão da malha viária. Algo mudou radicalmente nestas posições.


Quem usa o sistema de transporte coletivo em São Paulo enfrenta ônibus desconfortáveis, com grandes intervalos e sem horários definidos. Sem contar os condutores que parecem treinados em um Rally Paris-Dakar, dirigindo de forma agressiva e brusca, trazendo ainda mais desconforto para o usuário. O Metrô continua cheio demais e o transporte alternativo continua nas mãos de máfias e cooperativas sem um mínimo de critério para contratar os condutores e sem fiscalização adequada.


Neste contexto cabe a nós questionar o governo estadual: Qual a justificativa para gastar 1,3 bilhões par aumentar uma via como a Marginal Tietê que, em função do crescimento vegetativo da frota de carros, estará completamente congestionada em 10 anos? O que isso resolve?


Uma das obras mais importantes em andamento para desafogar o trânsito de São Paulo é o Rodoanel. Continuamos aguardando o seu término após mais de 10 anos. Ainda não terminamos e vamos duplicar a Marginal? Não me parece fazer muito sentido.


A solução dos problemas de locomoção em São Paulo passa por uma mudança de paradigma na elaboração das políticas de transporte coletivo. Ou se toma de vez a decisão de concentrar os esforços em tirar os carros das ruas ou em alguns anos não haverá investimento público capaz de dar conta da expansão da frota.


Há 1 ano atrás eu escrevi neste mesmo espaço sobre o erro de se construir a Ponte Estaiada na Marginal Pinheiros. Foram gastos na época pouco mais de 300 milhões. Já era um absurdo. Mas foi feito. Só nos resta imaginar um investimento de 1,3 bilhão em modernização do sistema de ônibus. Com novos corredores, vias exclusivas, semáforos inteligentes e terminais de conexão. Vamos sonhar com isso, Senhoras e Senhores, quando estivermos parados no trânsito desta e das próximas sextas feiras.

Um comentário:

Unknown disse...

Caro Emerson,

mais uma vez fica claro quais são as prioridades do nosso governo elitista. Não sou especialista em trânsito, mas é muito claro que um bom planejamento e um investimento decente em transporte público, se não resolveria, ao menos amenizaria o problema do trânsito paulistano. Mas infelizmente esta não é a prioridade do nosso governo.

Abraços,

Cris.