Não escrevi nada ontem. Nada tinha a dizer. Hoje, para ser franco, nada mudou. Aí está um motivo para escrever.
Há alguns dias, para ser exato desde a denúncia de irregularidades com os cartões corporativos do governo, uma queda de braço está em andamento. Governo e oposição lutam para controlar a exposição política do oponente. Pura demagogia. E não se ouve falar de mais nada.
Os principais jornais e seus portais na internet além dos principais telejornais só falam de uma coisa. A escaramuça para controlar parte da CPI dos cartões. Não chegam a um acordo e o impasse já começa a se fazer sentir no andamento das atividades dos parlamentares. De morosos passaram a estáticos. Não se vota nada.
Temos que acabar com as CPIs de fachada. Já disseram que não investigam o Barba e sua família, além de livrarem a cara do FHC. Muito bem, pra que serviria a CPI então? Para descobrirmos o óbvio? Que tem, mais uma vez, sacanagem com a utilização do dinheiro público? Ora, façam-me o favor!
Isso é assunto de polícia e é da polícia Federal. Se o ministro da justiça disser que tem que olhar, em 1 mês teríamos os culpados já com a medida do uniforme tirada. E tem que ir preso! A CPI vai botar alguém na cadeia? Não? Então pra que CPI? Dinheiro jogado fora.
O querido leitor faça um teste. Observe uma seção da câmara ou do senado pelas TV´s senado ou congresso. Parece circo! É um tal de elogia este, uma ode àquele, em termos empolados que seguramente nenhum deles entende direito. Não há objetividade nenhuma. Só lero lero.
O país precisa de gente disposta a arregaçar as mangas e partir para cima do problema. Pessoas que realmente tenham compromisso com a coletividade. Que não sejam fantoches do lobby agro-pecuário, industrial ou o que quer que seja. É pedir demais? É , eu sei. Mas é o que precisamos.
O circo está novamente armado. As forças que disputam não o fazem por questões ideológicas, éticas ou por dever cívico. Fazem-no por egocentrismo e vaidade. Fazem-no por poder. Por descaráter.
O mundo todo está preocupado com a desaceleração do crescimento. Há uma crise rondando a economia dos EUA. As nações sérias se preparam. Aumentam o ritmo das mudanças para acompanhar a realidade e suas possibilidades. Modernizam-se. Organizam-se.
Nós continuamos no mesmo andamento senhoras e senhores. Caminhando lenta, mas seguramente para trás.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Jogo de Cena
As denúncias de mau uso do cartão corporativo por autoridades do governo já geram mais discórdia que indignação. Numa manobra astuta a bancada governista tomou a frente para a criação de uma CPI para investigar os desvios. A oposição marcou bobeira e perdeu a chance de capitalizar politicamente sobre o escândalo. Até o Roberto Jefferson já deu uma alfinetadinha aqui e acolá.
Mas a oposição não está disposta a deixar barato. Ameaça não votar nada se a relatoria e a presidência ficarem com o PT e o PMDB, as maiores bancadas. O congresso, que voltou do recesso há menos de 20 dias já está parado. Assuntos importantes aguardam votação, o país precisa andar e os nossos excelentíssimos congressistas ameaçam parar.
Porque não entregam o cargo? Se a indignação é tamanha então que saiam. O Caro leitor sabe quanto custa um parlamentar no Brasil? Coisa de 10 MILHÕES por ano. Isso mesmo, assim com 6 zeros . É muito dinheiro.
Recebi hoje do amigo Valdemir o pequeno vídeo que disponibilizei no fim do post. Vejam. Vale mesmo a pena.
O que interessa aos deputados e senadores não é a solução do caso. São os holofotes. Se o governo vai investigar ou não pela CPI isso não faz a menor diferença. Alguém já viu um deputado ou senado ser preso por causa de CPI? Se e quando isso acontece é pela polícia, depois de julgado. E isso nunca acontece.
Como não tem holofote eles se recusam a votar. Como se tivessem este direito! Como se fossem eleitos para representar seus eleitores NÃO VOTANDO! Tenha a Santa Paciência. Isso não beira o ridículo. Ultrapassa.
É preciso criar com urgência um mecanismo que permita a "demissão" de um parlamentar por meio de votação ou coleta de assinaturas. A impossibilidade de perder o cargo a não ser por meio de seus pares é que gera este tipo de aberração. O Brasil não pode ficar à mercê de pessoas como essas, que colocam seus interesses pessoais ou partidários acima dos interesses da nação.
E tudo isso por causa da festa dos cartões. E a farra acontece também nas esferas estaduais. Vamos parar as assembléias também? Vamos parar tudo? Vamos fechar o país para balanço?
Eles insistem em chamar isso de política senhoras e senhores, mas é puro jogo de cena. O texto é uma comédia mas o resultado é uma tragédia.
P.S.: Ontem não teve post porque este que vos escreve estava em trânsito o dia todo.
Mas a oposição não está disposta a deixar barato. Ameaça não votar nada se a relatoria e a presidência ficarem com o PT e o PMDB, as maiores bancadas. O congresso, que voltou do recesso há menos de 20 dias já está parado. Assuntos importantes aguardam votação, o país precisa andar e os nossos excelentíssimos congressistas ameaçam parar.
Porque não entregam o cargo? Se a indignação é tamanha então que saiam. O Caro leitor sabe quanto custa um parlamentar no Brasil? Coisa de 10 MILHÕES por ano. Isso mesmo, assim com 6 zeros . É muito dinheiro.
Recebi hoje do amigo Valdemir o pequeno vídeo que disponibilizei no fim do post. Vejam. Vale mesmo a pena.
O que interessa aos deputados e senadores não é a solução do caso. São os holofotes. Se o governo vai investigar ou não pela CPI isso não faz a menor diferença. Alguém já viu um deputado ou senado ser preso por causa de CPI? Se e quando isso acontece é pela polícia, depois de julgado. E isso nunca acontece.
Como não tem holofote eles se recusam a votar. Como se tivessem este direito! Como se fossem eleitos para representar seus eleitores NÃO VOTANDO! Tenha a Santa Paciência. Isso não beira o ridículo. Ultrapassa.
É preciso criar com urgência um mecanismo que permita a "demissão" de um parlamentar por meio de votação ou coleta de assinaturas. A impossibilidade de perder o cargo a não ser por meio de seus pares é que gera este tipo de aberração. O Brasil não pode ficar à mercê de pessoas como essas, que colocam seus interesses pessoais ou partidários acima dos interesses da nação.
E tudo isso por causa da festa dos cartões. E a farra acontece também nas esferas estaduais. Vamos parar as assembléias também? Vamos parar tudo? Vamos fechar o país para balanço?
Eles insistem em chamar isso de política senhoras e senhores, mas é puro jogo de cena. O texto é uma comédia mas o resultado é uma tragédia.
P.S.: Ontem não teve post porque este que vos escreve estava em trânsito o dia todo.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Corredores
O Caro Leitor já deve saber que dos corredores de ônibus que a prefeitura pretendia construir nas avenidas Faria Lima, Brás Leme, Sumaré, Celso Garcia e Berrini somente os da Celso Garcia e da Berrini serão construídos. Falta de orçamento? Não. Falta de vontade da prefeitura? Não (é ano de eleição, lembram?). Pasmem, caros leitores, dessa vez foi a cidade quem disse não.
Segundo matéria do Estado de São Paulo de Hoje, (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080211/not_imp122473,0.php), os comerciantes dessas regiões se colocaram contra a construção dos corredores argumentando que " o comércio ao longo das vias com corredores seria prejudicado, pois os clientes não teriam mais espaço para estacionar".
Pois bem. Que assim seja. É importante respeitar a opinião da maioria. Supondo-se que a maioria seja composta por comerciantes dessas grandes avenidas. Ora, façam-me o favor. Em 10 minutos passam por cada uma dessas avenidas 10 vezes mais pessoas do que todos os comerciantes. Essas pessoas foram ouvidas?
Houve uma audiência pública? Sim houve. Mas como o trabalhador só tem dispensa se for doar sangue, (a CLT não prevê falta justificada por comparecer a uma audiência pública) é claro que só os comerciantes comparaceram.
O poder público precisa começar a agir em benefício da maioria. E a maioria em São Paulo não é de comerciantes, lojistas ou empresários. A maioria não tem carro ou moto. A maioria mora longe, na periferia. A maioria depende do transporte público. A maioria tem o imposto de renda e o INSS descontado diretamente na folha de pagamento e não pode sonegar.
Mas o trabalhador não vai ficar sem nada não. Vamos ganhar corredores virtuais. Isso mesmo. Corredores que aparecem pela manhã, desaparecem após o horário de pico e voltam a tarde.
Claro que não serão construídos novos pontos de ônibus, faixas exclusivas e travessias. Será mais uma "gambiarra" das muitas que nossa cidade tem.
Há centenas de exemplos ao redor do mundo. Soluções criativas e com custos apropriados à realidade paulistana. Basta que se mude a prioridade. Ninguém que tem carro vai deixar de usa-lo para ficar enlatado em um ônibus lotado durante1 hora e meia para chegar ao trabalho. Mas, se houver opção, é seguro que as pessoas deixem seus carros em casas. Afinal de contas dirigir a 20 km/h não é das coisas mais agradáveis.
É isso senhoras e senhores, o metrô não anda por falta de verba e os corredores, ruas e avenidas ficarão parados por falta de bom senso.
Segundo matéria do Estado de São Paulo de Hoje, (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080211/not_imp122473,0.php), os comerciantes dessas regiões se colocaram contra a construção dos corredores argumentando que " o comércio ao longo das vias com corredores seria prejudicado, pois os clientes não teriam mais espaço para estacionar".
Pois bem. Que assim seja. É importante respeitar a opinião da maioria. Supondo-se que a maioria seja composta por comerciantes dessas grandes avenidas. Ora, façam-me o favor. Em 10 minutos passam por cada uma dessas avenidas 10 vezes mais pessoas do que todos os comerciantes. Essas pessoas foram ouvidas?
Houve uma audiência pública? Sim houve. Mas como o trabalhador só tem dispensa se for doar sangue, (a CLT não prevê falta justificada por comparecer a uma audiência pública) é claro que só os comerciantes comparaceram.
O poder público precisa começar a agir em benefício da maioria. E a maioria em São Paulo não é de comerciantes, lojistas ou empresários. A maioria não tem carro ou moto. A maioria mora longe, na periferia. A maioria depende do transporte público. A maioria tem o imposto de renda e o INSS descontado diretamente na folha de pagamento e não pode sonegar.
Mas o trabalhador não vai ficar sem nada não. Vamos ganhar corredores virtuais. Isso mesmo. Corredores que aparecem pela manhã, desaparecem após o horário de pico e voltam a tarde.
Claro que não serão construídos novos pontos de ônibus, faixas exclusivas e travessias. Será mais uma "gambiarra" das muitas que nossa cidade tem.
Há centenas de exemplos ao redor do mundo. Soluções criativas e com custos apropriados à realidade paulistana. Basta que se mude a prioridade. Ninguém que tem carro vai deixar de usa-lo para ficar enlatado em um ônibus lotado durante1 hora e meia para chegar ao trabalho. Mas, se houver opção, é seguro que as pessoas deixem seus carros em casas. Afinal de contas dirigir a 20 km/h não é das coisas mais agradáveis.
É isso senhoras e senhores, o metrô não anda por falta de verba e os corredores, ruas e avenidas ficarão parados por falta de bom senso.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Justiça, recursos e discursos.
Amigo Leitor, a justiça federal brasileira tem hoje mais de 9551 processos por juiz de primeiro grau. Os dados são do Conselho da Justiça Federal.
Para um país que há muito tempo pede uma justiça rápida, que garanta os direitos de acusadores e acusados mas não demore 10 anos para decidir sobre algo os números são desencorajadores.
Entra ano e sai ano e não observamos nenhum avanço de fato significativo na reestruturação do poder judiciário. Advogados continuam valendo-se de recursos protelatórios com o único objetivo de postergar o pagamento de direitos. O principal beneficiado por este tipo de subterfúgio legal é o próprio estado.
O direito é a pedra fundamenta de uma sociedade democrática. Sem que os cidadãos tenham a certeza (nem mesmo temos a impressão, observem) de que estão protegidos por um sistema que garanta o ressarcimento por danos causados por outrem, prevalecerá a atitude do "deixa pra lá".
É mais caro, demorado, e extremamente trabalhoso reivindicar seus direitos. Seja em acidente de automóvel ou em um processo trabalhista. É a tática do "ganha mas não leva".
Assistimos todos os dias a histórias de gente que perde tudo por incompetência do poder público e sem nada continua. Outros, com acesso a advogados particulares conseguem receber de volta as suas perdas. Não há assistência a quem não pode pagar o preço, aliás altíssimo.
O Estado deve dar o exemplo. Muitos dos entraves econômicos que impedem investimentos externos no país estão relacionados com insegurança jurídica. O Estado caloteiro não tem mais vez em uma sociedade globalizada. Respeito aos contratos existe só em discurso presidencial.
Ouvimos o tempo todo que a justiça não tem recursos para se modernizar. É um fato. Mas a falta de mobilização do judiciário e do legislativo no sentido de otimizar os recursos existentes é insignificante, quase nula.
Para isso é preciso modificar a estrutura, ou nenhum volume de recursos será suficiente. Nosso judiciário é sim arcaico, tecnologicamente obsoleto e administrativamente ineficiente. Precisamos aumentar os recursos financeiros, mas não sem diminuir os recursos protelatórios.
O resto, senhoras e senhores é só discurso.
Para um país que há muito tempo pede uma justiça rápida, que garanta os direitos de acusadores e acusados mas não demore 10 anos para decidir sobre algo os números são desencorajadores.
Entra ano e sai ano e não observamos nenhum avanço de fato significativo na reestruturação do poder judiciário. Advogados continuam valendo-se de recursos protelatórios com o único objetivo de postergar o pagamento de direitos. O principal beneficiado por este tipo de subterfúgio legal é o próprio estado.
O direito é a pedra fundamenta de uma sociedade democrática. Sem que os cidadãos tenham a certeza (nem mesmo temos a impressão, observem) de que estão protegidos por um sistema que garanta o ressarcimento por danos causados por outrem, prevalecerá a atitude do "deixa pra lá".
É mais caro, demorado, e extremamente trabalhoso reivindicar seus direitos. Seja em acidente de automóvel ou em um processo trabalhista. É a tática do "ganha mas não leva".
Assistimos todos os dias a histórias de gente que perde tudo por incompetência do poder público e sem nada continua. Outros, com acesso a advogados particulares conseguem receber de volta as suas perdas. Não há assistência a quem não pode pagar o preço, aliás altíssimo.
O Estado deve dar o exemplo. Muitos dos entraves econômicos que impedem investimentos externos no país estão relacionados com insegurança jurídica. O Estado caloteiro não tem mais vez em uma sociedade globalizada. Respeito aos contratos existe só em discurso presidencial.
Ouvimos o tempo todo que a justiça não tem recursos para se modernizar. É um fato. Mas a falta de mobilização do judiciário e do legislativo no sentido de otimizar os recursos existentes é insignificante, quase nula.
Para isso é preciso modificar a estrutura, ou nenhum volume de recursos será suficiente. Nosso judiciário é sim arcaico, tecnologicamente obsoleto e administrativamente ineficiente. Precisamos aumentar os recursos financeiros, mas não sem diminuir os recursos protelatórios.
O resto, senhoras e senhores é só discurso.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Reformular a reforma
O Caro Leitor pode não saber disso mas não existe país que tenha entrado em rota de crescimento do desenvolvimento social sem uma reforma agrária séria.
O caso do Brasil é histórico. Por ser um país de grandes dimensões a percepção da concentração de grandes áreas nas mãos de latifundiários e grileiros é mais difícil. É percebida localmente mas quando tratada no âmbito nacional o problema torna-se tão grande que é realmente difícil de administrar.
No entanto algumas diretrizes precisam ser mudadas. A bancada ruralista é forte no congresso e a luta pelo direito a terra é vista pela maioria das pessoas como algo ilegal, principalmente por nós "homo urbanus", sem maior conhecimento de causa.
Pois bem, o governo resolveu alavancar este processo aumentando a disponibilidade de terras para assentamentos. Só que ao invés de aumentar a desapropriação das imensas extensões improdutivas resolveu comprá-las.
Os índices que definem uma propriedade como improdutiva são de 1975, ou seja, muito antes da maciça mecanização da agricultura. Propriedades com índices de produtividade irrisórios são assim consideradas produtivas, escapando da foice. Para compensar o governo adquire estas extensões e remunera o latifundiário.
Para que projetos de reforma agrária funcionem é necessária a criação de infra-estrutura adequada. O desenvolvimento destas regiões depende de implantação de entrepostos comerciais, saneamento básico, água, luz e educação. O gráfico no início do post mostra que sem a intervenção do estado estas populações terão dificuldades para se organizar por pura falta de conhecimento.
O mesmo documento mostra em outro ponto que 20% dessa população provêm de áreas urbanas. É uma forma de começar a reverter o êxodo rural que tornou as áreas metropolitanas um repositório de gente sem infra-estrutura adequada, tornando o desenvolvimento mais caro e difícil pela expansão desenfreada das periferias.
O combustível renovável é o negócio do século. O País tem hoje uma das mais espetaculares oportunidades para resgatar esta dívida social que tem suas origens no processo de colonização do Brasil. Para isso aconteça é preciso mais que inteligência e organização. É preciso coragem para lutar.
Não contra o grande produtor rural. Este é fundamental para gerar economias de escala e competitividade, mas contra a concentração de poder nas mãos de pessoas que utilizam a terra como ativo sem risco. Estes nada produzem senhoras e senhores, exceto miséria.
O caso do Brasil é histórico. Por ser um país de grandes dimensões a percepção da concentração de grandes áreas nas mãos de latifundiários e grileiros é mais difícil. É percebida localmente mas quando tratada no âmbito nacional o problema torna-se tão grande que é realmente difícil de administrar.
No entanto algumas diretrizes precisam ser mudadas. A bancada ruralista é forte no congresso e a luta pelo direito a terra é vista pela maioria das pessoas como algo ilegal, principalmente por nós "homo urbanus", sem maior conhecimento de causa.
Pois bem, o governo resolveu alavancar este processo aumentando a disponibilidade de terras para assentamentos. Só que ao invés de aumentar a desapropriação das imensas extensões improdutivas resolveu comprá-las.
Os índices que definem uma propriedade como improdutiva são de 1975, ou seja, muito antes da maciça mecanização da agricultura. Propriedades com índices de produtividade irrisórios são assim consideradas produtivas, escapando da foice. Para compensar o governo adquire estas extensões e remunera o latifundiário.
Para que projetos de reforma agrária funcionem é necessária a criação de infra-estrutura adequada. O desenvolvimento destas regiões depende de implantação de entrepostos comerciais, saneamento básico, água, luz e educação. O gráfico no início do post mostra que sem a intervenção do estado estas populações terão dificuldades para se organizar por pura falta de conhecimento.
O mesmo documento mostra em outro ponto que 20% dessa população provêm de áreas urbanas. É uma forma de começar a reverter o êxodo rural que tornou as áreas metropolitanas um repositório de gente sem infra-estrutura adequada, tornando o desenvolvimento mais caro e difícil pela expansão desenfreada das periferias.
O combustível renovável é o negócio do século. O País tem hoje uma das mais espetaculares oportunidades para resgatar esta dívida social que tem suas origens no processo de colonização do Brasil. Para isso aconteça é preciso mais que inteligência e organização. É preciso coragem para lutar.
Não contra o grande produtor rural. Este é fundamental para gerar economias de escala e competitividade, mas contra a concentração de poder nas mãos de pessoas que utilizam a terra como ativo sem risco. Estes nada produzem senhoras e senhores, exceto miséria.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Primeiro o mais importante.
Como todo ano o fim do carnaval traz surpresas incríveis ao caro leitor e a este que vos escreve.
Como todo ano caiu o tapa sexo de alguém e alguma escola será exemplarmente punida porque "Nu não pode". Desfilar seminua, com os seios a mostra e uma pequena peça de 10 cm quadrados (quando muito) pode. É a política de tapar o sol com a peneira. Neste caso uma bem pequenininha.
Mas não era disso que eu queria falar. O Barba tirou o olho do gato. Este, como sempre, abocanhou o peixe e deu fuga. Para ninguém saber quem é o gato começou a corrida para a não instalação de uma CPI por causa dos gastos exagerados com os cartões de crédito do governo.
E a coisa deve ser bem mais feia do que parece. Lula baixou a bola até da Ministra da Casa Civil. Os cargos das estatais irão para os indicados pelo PMDB. E não serão técnicos de renomada competência, garanto.
Edison Lobão foi nomeado ministro das minas e energia há alguns dias e já é o principal interlocutor do PMDB com o governo. E faz pressão das fortes para ter seus desejos atendidos. Mas a Ministra não se mostrava disposta a ceder. Mas a sorte sorriu para o Senador. O escândalo dos cartões apareceu, caiu uma secretária com status de ministra, outro se apressou em devolver dinheiro e se justificar. O estrago já estava feito.
O governo está com o rabo preso no congresso há muito tempo. Sabendo que ao negar as exigências dos partidos aliados pode sofrer investigações por todos os lados e ser novamente exposto como foi nos episódios do mensalão, o governo só tem uma saída. Recuar.
Tem o orçamento para ser votado, 40 bilhões mais magro por conta do fim da CPMF. Desaceleração da economia mundial à vista, PAC em andamento, caos na saúde, febre amarela, dengue. Olhando assim dá até para pensar que Dante era um otimista. O que o governo mais precisa hoje é dinheiro. Sem muito desgaste.
Essa é nossa situação senhoras e senhores. As passistas da Acadêmicos do Desfalque rebolam para todos nós. Mas nos indignarmos mesmo só quando cai o tapa sexo.
Como todo ano caiu o tapa sexo de alguém e alguma escola será exemplarmente punida porque "Nu não pode". Desfilar seminua, com os seios a mostra e uma pequena peça de 10 cm quadrados (quando muito) pode. É a política de tapar o sol com a peneira. Neste caso uma bem pequenininha.
Mas não era disso que eu queria falar. O Barba tirou o olho do gato. Este, como sempre, abocanhou o peixe e deu fuga. Para ninguém saber quem é o gato começou a corrida para a não instalação de uma CPI por causa dos gastos exagerados com os cartões de crédito do governo.
E a coisa deve ser bem mais feia do que parece. Lula baixou a bola até da Ministra da Casa Civil. Os cargos das estatais irão para os indicados pelo PMDB. E não serão técnicos de renomada competência, garanto.
Edison Lobão foi nomeado ministro das minas e energia há alguns dias e já é o principal interlocutor do PMDB com o governo. E faz pressão das fortes para ter seus desejos atendidos. Mas a Ministra não se mostrava disposta a ceder. Mas a sorte sorriu para o Senador. O escândalo dos cartões apareceu, caiu uma secretária com status de ministra, outro se apressou em devolver dinheiro e se justificar. O estrago já estava feito.
O governo está com o rabo preso no congresso há muito tempo. Sabendo que ao negar as exigências dos partidos aliados pode sofrer investigações por todos os lados e ser novamente exposto como foi nos episódios do mensalão, o governo só tem uma saída. Recuar.
Tem o orçamento para ser votado, 40 bilhões mais magro por conta do fim da CPMF. Desaceleração da economia mundial à vista, PAC em andamento, caos na saúde, febre amarela, dengue. Olhando assim dá até para pensar que Dante era um otimista. O que o governo mais precisa hoje é dinheiro. Sem muito desgaste.
Essa é nossa situação senhoras e senhores. As passistas da Acadêmicos do Desfalque rebolam para todos nós. Mas nos indignarmos mesmo só quando cai o tapa sexo.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Política e Polititica
Dando uma passeada pelo site da câmara municipal de São Paulo achei algo que realmente me comoveu.
O vereador Farhat apresentou um projeto de lei que, indubitavelmente, irá modificar a rotina e o dia-a-dia dos 12 milhões de cidadãos paulistanos.
Com o Projeto de Lei nº 822/2007 de 03/12/2007 o ilustre vereador propõe que se inclua no calendário oficial do município o dia do "Atleta de Sinuca e Bilhar".
Não pense o caro leitor que este que vos escreve tem alguma aversão por esporte tão nobre. Periodicamente me reúno com amigos para algumas partidas de bilhar ou sinuca regada a quitutes e biritas. Não sou campeão de nada, não tenho sequer um troféu em casa, aliás minhas habilidades no referido esporte são bastante questionáveis.
O dia do atleta já existe. É 10 de fevereiro. O caro leitor já imaginou se fôssemos criar uma data comemorativa para cada especialidade da medicina? Teríamos o dia do gastrologista, do pneumonologista, do otorrinolaringologista e por aí vai. Ou para advogados. Um para o criminalista, outro para o tributarista e outras tantas especializações que existem na área do direito.
Os nobres deputados, eleitos pelos munícipes, utilizam a estrutura da câmara municipal, que custa milhões por mês aos cofres públicos, para votar projetos desse tipo que, na melhor das hipóteses, não beneficiam ninguém. Imagino que os atletas da sinuca possam ficar chateados com a minha rusga mas, convenhamos, isso não vai fazer a menor diferença na vida de ninguém.
Precisamos fiscalizar este tipo de coisa. Precisamos nos envolver diretamente no processo legislativo sob pena de não vermos aprovadas as reformas importantes que nosso país precisa.
Estamos falando do âmbito municipal. Imaginem o desperdício de tempo e dinheiro na votação de inutilidades como essa que ocorre nas esferas estaduais. Quanto ao congresso e ao senado a preocupação é menor, uma vez que deputados federais e senadores não votam nada mesmo.
Precisamos instituir sim uma data comemorativa nos calendários de todo o Brasil. O dia da extinção do político inútil.
E celebrarmos, aí sim senhoras e senhores, com toda a pompa e circunstância o desaparecimento deste empecilho da vida pública brasileira.
O vereador Farhat apresentou um projeto de lei que, indubitavelmente, irá modificar a rotina e o dia-a-dia dos 12 milhões de cidadãos paulistanos.
Com o Projeto de Lei nº 822/2007 de 03/12/2007 o ilustre vereador propõe que se inclua no calendário oficial do município o dia do "Atleta de Sinuca e Bilhar".
Não pense o caro leitor que este que vos escreve tem alguma aversão por esporte tão nobre. Periodicamente me reúno com amigos para algumas partidas de bilhar ou sinuca regada a quitutes e biritas. Não sou campeão de nada, não tenho sequer um troféu em casa, aliás minhas habilidades no referido esporte são bastante questionáveis.
O dia do atleta já existe. É 10 de fevereiro. O caro leitor já imaginou se fôssemos criar uma data comemorativa para cada especialidade da medicina? Teríamos o dia do gastrologista, do pneumonologista, do otorrinolaringologista e por aí vai. Ou para advogados. Um para o criminalista, outro para o tributarista e outras tantas especializações que existem na área do direito.
Os nobres deputados, eleitos pelos munícipes, utilizam a estrutura da câmara municipal, que custa milhões por mês aos cofres públicos, para votar projetos desse tipo que, na melhor das hipóteses, não beneficiam ninguém. Imagino que os atletas da sinuca possam ficar chateados com a minha rusga mas, convenhamos, isso não vai fazer a menor diferença na vida de ninguém.
Precisamos fiscalizar este tipo de coisa. Precisamos nos envolver diretamente no processo legislativo sob pena de não vermos aprovadas as reformas importantes que nosso país precisa.
Estamos falando do âmbito municipal. Imaginem o desperdício de tempo e dinheiro na votação de inutilidades como essa que ocorre nas esferas estaduais. Quanto ao congresso e ao senado a preocupação é menor, uma vez que deputados federais e senadores não votam nada mesmo.
Precisamos instituir sim uma data comemorativa nos calendários de todo o Brasil. O dia da extinção do político inútil.
E celebrarmos, aí sim senhoras e senhores, com toda a pompa e circunstância o desaparecimento deste empecilho da vida pública brasileira.
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